O ano sem verão: o vulcão Tambora e a fome de 1816
Resumo. Em abril de 1815, a erupção do monte Tambora, na Indonésia, lançou cinzas suficientes para resfriar o hemisfério norte no ano seguinte. Este ensaio acompanha as consequências sociais dessa mudança, das colheitas perdidas às migrações, e pergunta o que ela ensina sobre sociedades que dependem de um clima estável.
Palavras-chave: Tambora; 1816; clima; fome; história ambiental.
1. Introdução
Quase ninguém na Europa de 1816 tinha ouvido falar de Tambora. Mesmo assim, foi a erupção desse vulcão, do outro lado do mundo, que fez nevar em junho na Nova Inglaterra e apodrecer o trigo na Suíça1.
2. Um ano sem verão
Os registros da época falam de chuvas sem fim, geadas fora de hora e preços de grãos que dobraram em poucos meses2. A resposta das sociedades variou: algumas abriram celeiros, outras reprimiram motins.
| Região | Efeito registrado em 1816 |
|---|---|
| Suíça | Fome e emigração em massa |
| Nova Inglaterra | Neve em junho, safra perdida |
| Irlanda | Epidemia de tifo |
Tabela 1. Alguns efeitos do ano sem verão por região.
3. O que isso nos diz
A lição não é que vulcões são perigosos. É que a fome nasce do encontro entre um choque natural e a forma como uma sociedade distribui o que tem.
1. Sobre os efeitos climáticos da erupção, ver a bibliografia abaixo. ↩
2. Os preços variaram muito por região. ↩
Referências
- Post, J. D. The Last Great Subsistence Crisis in the Western World. Johns Hopkins, 1977.
- Wood, G. D. Tambora: The Eruption That Changed the World. Princeton, 2014.